
Foi um sonho. Um sonho paradoxalmente intenso e real. E veio a música. Música gigantesca e variada, com direito a passagens de guitarras, flautas e violões.
No entanto, houve um trecho do sonho que não entrou nem na composição dos versos, nem nos sons da melodia. Um caderno dourado, cheio de canções, repousava no fundo de um rio cristalino. Pude manuseá-lo ali, dentro d’água, mas era impossível tirá-lo de lá. Parecia imantado ao fundo caudaloso das águas. Lembro que as canções do caderno eram belas e me vinham espontaneamente. Lembro também que estava angustiado, pois tinha a consciência de que se tratava de um sonho e, por esta razão, aquelas musicas se perderiam para sempre. E assim foi. Menos esta.
No entanto, houve um trecho do sonho que não entrou nem na composição dos versos, nem nos sons da melodia. Um caderno dourado, cheio de canções, repousava no fundo de um rio cristalino. Pude manuseá-lo ali, dentro d’água, mas era impossível tirá-lo de lá. Parecia imantado ao fundo caudaloso das águas. Lembro que as canções do caderno eram belas e me vinham espontaneamente. Lembro também que estava angustiado, pois tinha a consciência de que se tratava de um sonho e, por esta razão, aquelas musicas se perderiam para sempre. E assim foi. Menos esta.
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Troglodita Maldito*
Letra e música: Duarte Dias
Os olhos faiscando ante o brilho do chão
Por entre os bambus, canaviais, mãos
Atormentadas, soltas a clamar ao tempo
Uma bela e nova chance
Eu ia me sentindo assim, meio estopim
De um barril de sonhos, um copo de gim
Uma mera ilusão no mundo da verdade
Total calamidade no espaço infinito
Um troglodita maldito
A água colorida a banhar os meus pés
Transfiguração de Deus em Moisés
As coisas pareciam já bem definidas
Naquela fria avenida
Um ser divino, lindo, sem tormento, sem nexo
Surgiu-me na frente, sem medo e sem sexo
Apontou ele, então, para a água corrente
E pôs sobre os meus olhos um livro ardente
E sua boca quente falou:
“Sinta, veja, observe atentamente o fosco lume
Dessas florestas, mergulhe fundo no véu
Dessa mente (mas que aguardente iconoclasta)
Mente aquele mito repelente feito de mel
Aquele mito repelente feito de eu”
Troglodita Maldito*
Letra e música: Duarte Dias
Os olhos faiscando ante o brilho do chão
Por entre os bambus, canaviais, mãos
Atormentadas, soltas a clamar ao tempo
Uma bela e nova chance
Eu ia me sentindo assim, meio estopim
De um barril de sonhos, um copo de gim
Uma mera ilusão no mundo da verdade
Total calamidade no espaço infinito
Um troglodita maldito
A água colorida a banhar os meus pés
Transfiguração de Deus em Moisés
As coisas pareciam já bem definidas
Naquela fria avenida
Um ser divino, lindo, sem tormento, sem nexo
Surgiu-me na frente, sem medo e sem sexo
Apontou ele, então, para a água corrente
E pôs sobre os meus olhos um livro ardente
E sua boca quente falou:
“Sinta, veja, observe atentamente o fosco lume
Dessas florestas, mergulhe fundo no véu
Dessa mente (mas que aguardente iconoclasta)
Mente aquele mito repelente feito de mel
Aquele mito repelente feito de eu”
Ao que respondi:
Mama
Eu juro que não sei
Colher o que eu não plantei
Mother
You não tem mais a razão
(Mas que Poliglota sensação...)
Vai amor
Que a loucura é um fim
E não reze nem pague os pecados só por mim
Hoje eu sei
O quanto é real
A vida que preenche as folhas de um jornal
Vim te ver
Acariciar teu pêlo
Sentir-me um momento sem o desespero
Que carrego nesse itinerário
Apóstolo do vício mais do que diário
Vai e leva
Ô eremita do céu
Esse orbe cruel
Pra longe daqui
O quanto é real
A vida que preenche as folhas de um jornal
Vim te ver
Acariciar teu pêlo
Sentir-me um momento sem o desespero
Que carrego nesse itinerário
Apóstolo do vício mais do que diário
Vai e leva
Ô eremita do céu
Esse orbe cruel
Pra longe daqui
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2 comentários:
Além de tudo ainda é um poeta...
Esses artistas cheio de talentos.
Parabéns!
Wanessa, mais uma vez, obrigado pelas palavras!
Quanto a ser poeta, a gente vai se esforçando...
Beijos.
P.S.: E o seu blog? Quando sai?
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